Não... Nunca houve amor
Uma certa vez disseste que parecíamos pertencer à um filme francês
Movidos por desencontros
Marcados por um sentimento confuso
Enquadrados na lente da ignorância
As falas incomuns
Cheias de significado sobre a vida
E o pesar que ela nos proporciona
Neste filme,
Cada ângulo,
Cada desgosto
Tem suspiros de agonia
Mãos que se procuram
Sorrisos reprimidos
E lágrimas contidas
Ainda neste filme,
Atravesso a rua enquanto passas no teu carro,
E te reparo pelo pára-brisas
E veloz, foges do meu olhar.
A cerveja, derrama
O cigarro se apaga
Enquanto meias palavras são jogadas fora
Nada daquilo precisava ser dito
Nem o encontro na madrugada
Precisava ter acontecido.
Não preciso deste filme
Fostes infeliz no teu script
Estou a salva.
sábado, 9 de janeiro de 2016
domingo, 5 de maio de 2013
Karma
Um dia seguiremos obsoletos
Em cada discurso
A poeira da rua invade a casa
Que um dia você construiu pra mim
Na mesma casa, as plantas que nunca podamos
Encobrem o nosso passado
E emaranham o nosso presente
E desdenham do meu futuro.
Um raio de sol passa por entre as cortinas
No mesmo momento em que a minha cabeça
Gira no ritmo do ventilador
Na madrugada, eu desacompanhado
Sinto você ao meu lado
Pela marca deixada no colchão
Perdi dias nesse instante único
Perdi a consciência também
Mas nunca te perdi
Porque nunca a tive
O fato me embaraça
Me causa desgraça
Me devasta por dentro por fora
Desse modo, não consigo te deixar ir embora.
O karma me persegue
A dor obtusa causada pelo meu desejo de salvar-te
Tornou-se meu calvário
Meu amor imaginário
E como acreditar em um sonho que se sonha só?
Permito que as marcas que deixastes em mim
Tornem-se a prova viva de que sobrevivi
Se fui demais pra ti
Se fui tudo aquilo que não necessitavas
Desejo-lhe sorte, pois vais precisar.
terça-feira, 9 de abril de 2013
GAME OVER
Furtivo ou desconexo tanto faz
A música evidencia coisas aqui guardadas
Não sinto diferença se estás ou não aqui
E tenho a consciência de que incomodo
Eu desfilo pelo teu ego
Não absorvo a tua cena
O jogo todo não passa de uma parada conveniente.
Moves as peças pensando sempre no próximo passo
E nem ligo, isso não interessa
E acabo interceptando tua ação
Descubro que não tens compromisso
Que não sais disso.
Então pra que?
Pra que te procuro
Se tua defesa sempre me bloqueia
Já chega!
É a única coisa que me reservo:
Não vou ficar olhando pra trás.
segunda-feira, 11 de março de 2013
__________________
Seria uma pena se depois que eu
saísse por aquela porta e todas as dúvidas que entraram comigo por ela,
retornassem como um temporal atemporal. Seria extremamente decadente se eu
tivesse rememorado fantasias justamente no dia que as coloquei de molho.
O dito pelo não dito, e a trama
me cercou. As mãos dadas por acaso, no meio da rua, para me proteger de um
tropeço bêbado, e um possível atropelamento. O olhar lascivo e evasivo, do qual
já havia feito uma retratação estava mais uma vez ali: encarando-me como um
espelho. Seguimos narcisos, debruçados sobre as mais puras projeções, sem medo
de ser...
Ao término do encanto, dias se
passaram como se nada estivesse acontecido. A expectativa tornou-se o mórbido
brilho dos teus dentes. A insegurança está expressa no passar das mãos no
cabelo. E a certeza de que nada, nada se repete fácil, mora no teu silêncio.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Éden
Todos os dias abro meus braços
Como se abrisse as pernas
Por diversas vezes me senti sugada
Amarrada, e amordaçada
E de repente: liberdade
Mas o conceito em si desta palavra
Foi desconstruído
O Abaporú presente
E nossas raízes desta terra brasilis
A desmistificou, somos libertinos.
Eu choro, porque o choro me alenta
Eu choro porque sou servo
Do nada
E dele me alimento
Nem que seja de socos ou pancadas.
Não sei como começar
Muito menos como terminar
Sou fruto de um desleixo coletivo
Abençoado pelo manto do sacerdócio corrupto
Abortado pela mãe desnaturada
Criado pelos demônios do infinito
E jogada à própria sorte
No calabouço da verdade.
Como se abrisse as pernas
Por diversas vezes me senti sugada
Amarrada, e amordaçada
E de repente: liberdade
Mas o conceito em si desta palavra
Foi desconstruído
O Abaporú presente
E nossas raízes desta terra brasilis
A desmistificou, somos libertinos.
Eu choro, porque o choro me alenta
Eu choro porque sou servo
Do nada
E dele me alimento
Nem que seja de socos ou pancadas.
Não sei como começar
Muito menos como terminar
Sou fruto de um desleixo coletivo
Abençoado pelo manto do sacerdócio corrupto
Abortado pela mãe desnaturada
Criado pelos demônios do infinito
E jogada à própria sorte
No calabouço da verdade.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Lilith
Preciso esquecer...
Que já nem me lembro mais
Do seu rosto
Que em minhas ideias,
O teu vulto desfaz
Do seu gosto
Que por mim não fora aprisionado
Preciso esquecer...
Que todas as vezes
Sei que você vai sumir
Do seu jeito único
De me fazer esquecer...
Que a dor não faz sentido
Que posso me jogar nessa trama
Que volta e meia
Não serás mais que um desejo
Aí minha história
Resumir-se-á em fatos
Sem evidências
"Ó ser mítico por mim idealizado.
Um dia terás seu totem legitimado
Em um lugar inexato"
Mas sempre tem alguém
Ao lado, que desperta algo
São olhares aleatórios
Toques sem intenções
De serem realmente o que se é
E assim a gente leva
Dia a dia as coisas em comum aparecem
E a gente se perde na linha da razão
E nesse trânsito frenético
Só resta a sensação
De uma impotência
A impotência seguida pela frustração
No sentido mais amplo da palavra.
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